Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Ups... Já nos 40!

Esta sou Eu... sou Mãe, mas acima de tudo Mulher! E já nos 40...

Ups... Já nos 40!

Esta sou Eu... sou Mãe, mas acima de tudo Mulher! E já nos 40...

Coisas do Desemprego #1

Ao fim de 2 anos e 4 meses recebo uma convocatória do IEFP (a PRIMEIRA, pasme-se!) para ir a uma sessão de esclarecimento sobre direitos e deveres... ao fim de 2 anos e 4 meses de estar desempregada...

Uma sessão muito esclarecedora, sem dúvida (nota-se assim muito o sarcasmo?!)... se ao fim deste tempo não estivesse consciente dos meus direitos e principalmente dos meus deveres estávamos mal, certo?

O que a técnica do Centro de Emprego referiu é que estão a convocar os desempregados para este tipo de sessões (e outros) visto que já não existe a obrigatoriedade das apresentações quinzenais e assim "controlarem" os desempregados. A mim pareceu-me perfeitamente desnecessário, visto que o que lá referiram em nada acrescentou ao que já sabia, mas a presença era obrigatória.

Mas o que me deixou hoje um pouco em baixo foi voltar a ter contacto com a realidade deste flagelo social (ao estar inserida num CEI não tenho esta percepção visto que me encontro "ocupada" e sem grande contacto com o Centro de Emprego). Eu sou só mais uma no meio de tantos, é verdade, mas senti-me tão deslocada, tão a pensar "não tenho nada a ver com isto", "isto não é a minha realidade"... 

No pequeno auditório estavam cerca de umas 50/60 pessoas (no meu grupo), antes saiu um grupo mais ou menos idêntico e depois novamente outro grupo composto por mais meia centena de pessoas. Se calhar ao todo em 3 horas passaram por ali cerca de 200 pessoas como eu: desempregadas. A sua maioria com idade acima dos 50 anos...

Venho triste, de cabeça baixa, por estar inserida numa realidade que sinto que não é a minha, mas que cada dia que passa vejo mais dificuldade em sair dela...

2 anos de desemprego

Faz hoje precisamente 2 anos que estou desempregada. 2 anos a batalhar, à procura de um novo emprego, e sem qualquer resultado. Tem dias que desespero a pensar no futuro, tem outros que não penso tanto.

Mas já são 2 anos!

2 anos com a vida suspensa, sem poder fazer ou perspetivar projetos a médio/longo prazo.

Nestes 2 anos já caí, já me levantei, voltei a cair e a levantar... e se voltar a cair irei levantar-me as vezes que forem precisas. Não será a vicissitude de ter perdido o emprego que me vai derrubar.

2 anos que passaram a voar. Continuo com o foco de voltar à minha profissão, mas começo cada vez mais a perder essa esperança. Foram poucas as entrevistas a que fui para a minha área profissional, e a maior parte implicavam mudança para a capital. Neste momento já só quero um emprego, algo que permita que tire o "stand-by" em que se encontra a minha vida.

Mas se estes 2 anos tiveram espinhos, também fizeram desabrochar lindas rosas e houve aspetos positivos. Fui inserida em 2 projetos de "trabalho" através do Centro de Emprego (um numa Escola Superior e outro num Centro de Saúde, onde ainda me encontro) que me permitiram adquirir novos conhecimentos profissionais, conhecer novas pessoas, fazer novas amizades, alargar os meus horizontes. 

Quero acreditar que coisas boas estão para acontecer...

Da saga da procura de emprego...

Hoje passei o dia literalmente "enfiada" em testes psicotécnicos. Foi desde as 10.00h até às 17.00h.

Já lá iam uns anitos (mais de 15, acho eu...) que não estava envolvida num processo de avaliação psicológica. Ele foram testes de avaliação da personalidade, de avaliação das competências para a função a que me estou a candidatar, ele foram testes de compreensão numérica, de comprensão verbal, de lógica... testes que não mais acabavam e no final a bela da entrevista psicológica.

Estou estafada... 

Era uma vez...

É assim que começam todas as histórias (ou quase todas). A minha não é diferente.

Nasci há quase 40 anos numa aldeia do centro do país e por lá cresci. Sou filha única, mas nunca me senti sózinha pois o que não me faltava eram primas na mesma condição que eu. Tive uma infância e adolescência feliz, a brincar na rua, com primas e amigas, em casa dos avós. Os meus pais tinham um café lá na aldeia e por lá fui crescendo até ao momento de constituir a minha família.

Licenciei-me em Gestão de Empresas e ingressei na área da Banca. Namorava à cerca de 1 ano quando engravidei da minha princesa e decidimos juntar-nos e fomos morar para casa dos pais dele. Mas como quem casa quer casa, passados cerca de 3 anos comprámos a nossa casa, numa aldeia a cerca de 25km da minha terra e a 10km da dele. Uns anos mais tarde volto a engravidar, desta vez do meu principe, e já numa fase algo conturbada quer no meu emprego quer no do meu companheiro.

Melhor ou pior nos fomos aguentando. Até ao final de 2014... quando tive a notícia que ia engrossar a lista do desemprego do meu país. Desde o início do corrente ano que sou mais uma desempregada. Foi um balde de água fria. E eu que desde que tinha acabado a minha licenciatura estava no mercado de trabalho, sem nunca ter passado por esta situação. Alguma vez seria a primeira, poderão pensar.Sim, é verdade, mas pensamos sempre que não nos afecta a nós... ainda mais estando eu a trabalhar numa área que até há meia dúzia de anos não se ouvia falar em despedimentos.

Resumindo, tenho quase 40 anos (ainda faltam 6 meses antes da entrada nos "entas"), 2 filhotes lindos, a C. com 13 anos e o L. com 5 anos, desempregada e agarrada a uma relação que já viu melhores dias...

E a parte do viveram felizes para sempre... por agora não sei se será este o final... mas já não acredito em contos de fadas...